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Casa bonita na pandemia

Casa bonita na pandemia

A nossa casa tinha outro significado, agora, todos queremos uma casa bonita na pandemia. Era reconfortante chegar depois de um dia de trabalho. Mas, mesmo sendo o nosso pedaço de terra no mundo, a vida de verdade estava em outros contextos. Aí, chegou a pandemia. 

O isolamento fez com que a gente precisasse trazer tudo (trabalho, academia, escola, faculdade) para um só lugar. Uma das grandes angústia no começo era como viver mil vidas dentro de casa. Dividir o mesmo espaço com a família todos os dias. 

Depois de 5 meses a gente até pode falar que demos um jeito. E já que a nossa casa virou o único lugar habitável na quarentena, as pessoas passaram a se preocupar mais com a estética. Nossas pesquisas mostram que 37% da classe A realizou algum tipo de mudança dentro de casa . 

Outras pessoas, 23%, sentiram a necessidade de criar um ambiente especifico para trabalhar ou estudar, já que antes não tinha essa necessidade. Em comparação, apenas 8% da classe C teve essa preocupação, levando em conta que a maioria não foi favorecida com o home office. 

Passamos a comer, a trabalhar, a se exercitar, apenas em um único ambiente. Cerca de 25% da classe A sente falta de uma cozinha mais equipada, por exemplo. As novas necessidades apareceram. Agora faz mais sentido querer uma casa mais completa. 

A quarentena virou uma prova de resistência necessária. Ainda mais para aquelas pessoas que usavam a casa só como um meio termo entre os contextos de ação. Nossa casa virou nosso universo. E não tem para onde fugir. 

O Novo Normal
Michel Alcoforado
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Antropólogo.Phd, especializado em consumo e comportamento, e sócio fundador do Grupo Consumoteca. Colunista do UOL TAB e comentarista da rádio CBN, produz e participo do podcast CAOScast e Rastros, além de ter ministrado mais de 400 palestras.

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