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Futuro do trabalho: quais e para quem?

Futuro do trabalho: quais e para quem?

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Fomos obrigados a nos relacionar diferente com o trabalho, o consumo, a vida. Futuro do trabalho: quais e para quem?A pandemia acelerou todas as tendências de comportamento e fez com que, subitamente, tivéssemos que viver no isolamento social e passar a usar a tecnologia a nosso favor. Sim. Da noite para o dia, ela que era a vilã foi reconhecida como salvadora, desde redes sociais a plataformas de e-commerce.

Diante de tamanha reviravolta convido você a refletir sobre duas questões quanto ao futuro do trabalho.

O Brasil tem uma desigualdade social considerável. 1 em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet. 46 milhões de brasileiros não acessam a rede:

  • 41,6% não sabe usar a internet;
  • 34,6% não tem interesse;
  • 11,6% a internet é cara;
  • 5,7% os equipamentos (celular, laptop, tablet) necessários são caros.*

Os desafios de negócio são diferentes dependendo do segmento.

O futuro sempre me intrigou e o mundo do trabalho se tornou uma grande incógnita. É inevitável a mudança e não vamos voltar ao que era. Não adianta pensar em cenários tendo você somente como referência ou levando. consideração o “business as usual”, antes do distanciamento social. A tentação de julgar rápido e cair na trivialidade é grande.

Então a primeira pergunta que deixo como reflexão é: futuro para quem? Quem será afetado?

Seus colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros, familiares? Quais os principais momentos de interação que tem com eles? Para cada grupo há uma demanda específica. Cada um tem um ponto de dor que mais se sobressai no momento.

Novos significados emergem, pois novos valores prevalecem devido o mundo digital.
  • Seus colaboradores tem acesso a internet? Que tipo?
  • Qual o peso da mobilidade ao trabalho? Seu colaborador está disposto a passar de 1 a 4 horas em transportes públicos, uber ou carro próprio após ter trabalhado de casa?
  • O que significa ambiente de trabalho? Home office é suficiente para operar? Em que condições? A empresa deve fornecer ajuda para esta experiência?

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  • O que significa pertencimento para sua equipe que passa o dia no computador?
  • Como fomentar experiências energizadas e significativas de trabalho online?
  • O que significa proximidade para seu cliente que fez uso de plataformas novas para obter produtos? Que experiência de compra ele deseja a partir de agora?

Vou deixar aqui algumas dicas que tem me ajudado a refletir sobre esses temas.

Dica 1: Pensar a partir das necessidades e experiências dos indivíduos e dos grupos, levando em consideração os contextos é o primeiro passo para arquitetar decisões. Os contextos devem ser analisados e singularizados porque são eles que geram significado para o que for desenhado.

Dica 2: As soluções residem numa escuta atenta às percepções dos colaboradores, clientes, parceiros e à maneira colaborativa de encontrar alternativas.

Não há como pensar sozinho no que se vai fazer, é preciso colocar o problema na roda e dialogar em conjunto em função da diversidade das pessoas e em como estamos organizados contemporaneamente: em rede, interativamente, na função “always on”.

Dica 3: planejar momentos de pausa sozinho e com a equipe para socializar — vinte minutos no dia, já pode surtir um baita efeito na moral do grupo. Escreverei sobre isso em outro momento.

A segunda reflexão foi proposta pela futurista Amy Webb no SXSW deste ano já feito on-line: em vez de perguntarmos sobre qual será o futuro, deveríamos questionar: quais futuros?

Não cabe mais pensar de maneira simplificada e desconsiderar diferentes variáveis. A complexidade dos sistemas deve ser contemplada devido a globalização, diversidade, interatividade e multi-tecnologias. Negá-la ou torná-la simplória levará a decisões descoladas da realidade.

Deixo aqui mais dicas que tem me ajudado a pensar sobre essas questões.

Dica 1: mapear questões complexas e pensar em diferentes cenários para se navegar exercita o músculo da flexibilidade. É só pensar que em vez de ter um caminho que leve a um destino, pensar em várias rotas possíveis para fugir do tráfego.

O digital se impondo como plataforma para conexão com o outro e a consideração da imprevisibilidade num mundo em transformação exige praticar a incerteza, e trazer o desconhecido para o familiar.

Dica 2: A conversão do desconhecido para o familiar começa por questionamentos sobre o porquê desse evento estar ocorrendo, para quem se está tentando resolver problemas e como pensar em conjunto para entregar soluções focadas e jornadas únicas para cada público.

Dica 3: é sempre bom deixar espaço para a imprevisibilidade. Exercitar o aprender, desaprender e reaprender, sem apego demasiado nas próprias crenças ou no modo de fazer algo, levará a uma alta capacidade de adaptação.

Pode parecer caótico e é, mas não se esqueça que a gente muda para continuar existindo.

Dica 4: Começar com pequenos passos, sem querer dar conta de tudo ou tentar projetar em escala, de primeira, pode ser a saída para a ignição. É preciso começar, mesmo sem saber onde vai dar. O poeta espanhol Antônio Machado nunca foi tão sábio e atual:

“Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.”

Comece!

*Fonte: Pnad Continua (Pedquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua — Tecnologia da Informação e Comunicação.

Crédito imagem: Facebook. 

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